Biólogas de Salto

11.9.05

Eu sei que isso seria a postagem mais incomum do mundo...


...mas eu preciso postar isso!
Será que algum dia, meu coração de papel se unirá ao coração do meu soldadinho?


O Soldadinho de chumbo e a bailarina de papel...
(Conto de Andersen reescrito abusadamente por mim!)

Era uma vez um soldadinho de chumbo! Ele veio de um caixinha de onde também vivam 24 soldadinhos, que foram feitos no mesmo dia...Era pequena a caixinha de madeira e o soldadinho como foi um dos últimos a serem feitos, não tinha uma perninha, faltou material. Mas era bonito, branquinho, de bochechas rosadas e muito corajoso! Sabe-se disso, pois à noite quando ninguém está olhando, os brinquedos tomam vida e brincam entre si. E esse soldadinho sempre deu prova de sua coragem, pois apesar de não ter uma perninha, estava sempre vigiando a caixinha que lhe servia, e a seus irmãos, de casa, não deixando que os outros brinquedos a invadissem e bagunçassem!
Mesmo tendo ficado por ultimo, sempre preterido pelo seu pequeno defeito, ele foi comprado por um senhor bondoso que passara na loja de brinquedos e o vira. Esse senhor tinha um netinho, que era um criança arteira e levou-lhe então esse soldadinho!
Tendo presenteado a criança com o boneco, o menininho lhe colocou junto aos seus outros bonequinhos. E o menino brincava sempre com esse soldadinho, brincadeiras de guerra, de luta, bem como os meninos sempre gostam de brincar. E o soldadinho observava sempre uma boneca, que também se punha de pé por uma só perna, de onde ele podia ver. Ele achava que ela só tinha mesmo uma perna. Mas ela tinha outra perna que pairava no ar e assim ficava porque era uma bailarina! Uma bailarina que tinha uma coroa azul de lantejoulas, sobre seus cabelos pretos e uma saia de tule presa com cola por cima do papel de que era feito seu corpo bem desenhado...Um dia o boneco de molas, que tinha uma cara assustadora lhe disse: Soldadinho veja bem pra onde olhas! Ela é minha amada!
Mas o soldadinho não lhe deu ouvidos, pois esse boneco de molas era feio e gostava de mandar nos outros bonecos. E ele que era corajoso, não obedeceria as ordens daquele ser invejoso!
E ele sabia que a bailarina também o amava, pois ela, assim que o viu, também se mostrou impressionada e dançou uma música inteira só pra ele! E ele, ficava olhando pra ela todo o tempo, vigiando sempre sua amada, que para ele tinha uma perna só.
Belo dia, o menino numa de suas artes jogou o pequeno boneco pro alto pra fingir que voava, quando brincava com ele em seu quintal e este, sumiu. O menino chorou muito, pois se afeiçoara ao bonequinho, mas...Ele havia sumido...
A bailarina sentia falta do seu soldadinho lindo de chumbo! Não podia nem chorar, pois se chorasse ela se desmancharia toda, pois era feita de papel!
Ela sentia tristeza, mas se mantinha em posição de balé, afinal a dança não podia parar. E ela era uma bailarina, por mais triste que fosse a canção que tivesse que dançar agora.
E seus pés, realmente agora, não só pela dança, mas pela saudade pousavam fora do chão, o que fazia com que ela se visse cada vez mais sozinha em seu mundo de papel...
E os dias foram passando!
O destino do soldadinho após ser atirado pro alto foi cair no meio do mato, aonde outros meninos brincavam.E perto de onde estavam tinha um rio. Tiveram a idéia de fazer um barco de papel e colocarem dentro o bonequinho que sentira medo, muito medo!
Colocaram o soldadinho dentro do barco de papel e puseram pra flutuar nas águas do rio e o barquinho foi embora. Mas tinha muita correnteza aquele rio e o soldadinho sentiu mais medo ainda...
Flutuou, flutuou, caiu à noite.
E os olhos do soldadinho continuavam firmes e ele segurou a arma com mais força, pensando na bailarina, que talvez nunca mais veria!
Ele quase derramava lágrimas de chumbo. Mas era corajoso e se mantinha forte!
O papel do barquinho foi se desmanchando e ele já sabia qual seria o seu destino...Sem sua amada de cabelos negros, saia de tule e coroa azul de lantejoulas...E pensando nela, ele se fazia de forte!
Mas o papel se desmanchava e assim se desmanchou por completo.
O soldadinho se precipitou até o fundo do rio e lá ficou, pensando quão triste era sua história...
Até que um peixe veio e o abocanhou!Tudo ficou mais escuro ainda...
E ele sentiu dentro daquele bicho, algo remexendo...O peixe havia sido pescado e quando ele percebeu novamente a luz, ele estava na mesma casa de onde havia saído! O pescador tinha vendido o peixe à cozinheira daquela casa, que abrira a sua barriga com uma faca enorme.
Todos vieram à cozinha, ver a surpresa que havia dentro do peixe e o menino o reconheceu...Ficou feliz por um momento, o levou pro seu quarto e então o soldadinho pode ver sua amada bailarina!
Ela também se emocionou ao vê-lo, mas se manteve na sua pose! Mesmo assim, seu coração de papel estava radiante!
E o coração dele de chumbo mal se continha de tanta satisfação!
O menino pegou o boneco nas mãos, olhou bem e disse: Me afeiçoei muito a você e você se perdeu de mim, chorei muito por sua causa, mas agora, já não te quero mais...E jogou o pobre boneco na lareira de sua casa. O boneco queimava, mas não sabia se queimava de amor, ou se era mesmo o poder do fogo da lareira a lhe consumir. O boneco derretia e perdia suas cores, seus sonhos e mesmo queimando e derretendo, mantinha os olhos na bailarina! E sabia que era praga do tal boneco de molas, que do seu canto, apreciava o espetáculo bem feliz, sorridente e feio como sempre.
Ela não pode conter-se dessa vez e deixou uma lágrima correr pelos seus olhos de papel. Um vento sorrateiro bateu nesse momento e a fez voar pra dentro da lareira e num mero instante seu corpo de papel se desmanchara e se unira ao corpo de chumbo do seu amado...Dela inteiro só restou uma lantejoula que ficara no chão, perto de onde ela dormia.
No dia seguinte, a criada da casa, só achou dentro da lareira, como resto dos dois, um coração feito de chumbo e papel, como se no instante final, eles dois fossem fieis ao amor que sentiam um pelo outro! E então a bailarina e o soldadinho, que se amavam, viraram um só.